Revista Vizoo

Bia Castilho. Beleza sem limites

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Deixar a vida te levar, como canta o sambista, pode ser uma decisão acertada. Que o diga Bia Castilho. Aos 25 anos, a carioca é uma adepta da máxima.

E ela tem bons motivos para sê-lo. Afinal, o caminho que cumpriu até invadir a telinha do país foi pavimentado com perseverança mas, também, pelo acaso.

Vejamos. Ainda adolescente, a morena, desde sempre um tanto espiritualizada, resolveu aprender a meditar numa academia do Leblon, bairro onde mora até hoje. Após alguns meses de prática, acabou aluna de yoga num estúdio vizinho ao centro transcedental. E de lá, naturalmente, foi parar, convidada, é claro, na então também vizinha agência de modelos Elite.

A partir daí, seus 53 quilinhos muito bem distribuídos em um metro e setenta de altura passaram a frequentar um mundo ficcional transmitido via satélite. Fez campanhas para grandes empresas de telefonia, varejo e bebidas e participou de videoclipes bem executados no mundo inteiro, notadamente o da música "I got it from my mamma", do black eyed pea Will.I.am. Um sucesso!

O acaso também surgiu na convocação para o reality. Na verdade, Bia havia se inscrito para participar de outro show na mesma emissora, um tal de Jogo Duro. Atirou no que viu, acertou o que não viu. Não entrou para um programa de pouca visibilidade, e no qual apareceria apenas em um episódio, mas acabou em No Limite, atração que foi ao ar diariamente pouco depois do chamado horário nobre.

O mês e meio que permaneceu no Ceará, onde gravou o reality em condições precárias – sem banheiro, comida ou higiene –, a fez lembrar de outras aventuras, muito mais radicais. Louca por viagens, Bia, na cara e na coragem, dois anos atrás, partiu, sozinha, em direção à Ásia. Objetivo: cumprir em 21 dias um processo espiritual chamado deeksha, na Índia.

Chegou na terra de Gandhi algumas semanas antes do retiro, linda, leve e solta: sem sequer reserva de hotel para a primeira noite. E foi salva pelas coincidências. Um dia antes de embarcar, ficou sabendo que o primo de sua melhor amiga estava morando muito perto de onde ela aterrissaria. Chegou em Tchenai mas, em poucas horas, acabou em Auroville, uma cidade fundada por franceses em que não há circulação de dinheiro. O sistema do lugar, com pouco mais de dois mil habitantes, se assemelha ao de alguns hotéis: o visitante passa na "administração", faz um depósito em rúpias e ganha um número. Com ele, consome. "Na Índia, fui ver se Deus estava comigo." E, então? "Ele estava total comigo", afirma.

Na companhia do Todo Poderoso, Bia acabou ficando quatro meses por lá. Além do retiro, entrou em contato com a cultura milenar do povo e aprendeu seus costumes. Conheceu algum dalit? "Devo ter conhecido vários. Não sei. Nas metrópoles, acho que não tem mais essa história de castas, só em cidades pequenas. A cultura ocidental já está bem presente, nas roupas e até em restaurantes", avalia a bela, lembrando que, no país onde a vaca é sagrada, Mc Donald's só serve hambúrguer de peixe ou soja.

Aliás, a comida de lá, fantasma recorrente de turistas em geral, não assustou Bia, que, sempre muito interessada nas diferenças, obviamente foi poucas vezes à lanchonete americana. As tradicionais frituras com muito tempero e pimenta, ela comeu com a mão. "Aprendi e gostei. Quando voltei pro Brasil, tive que me readaptar aos talheres." Comer com a mão a fez entender porque os indianos consideram um acinte alguém estender a direita no intuito de cumprimentar alguém. "A mão esquerda é para comer; a direita é pra limpar a bunda." No final da viagem, Bia já estava bebendo água de torneira em estação de trem. Passou ilesa a isso e a eventuais golpistas indianos. "Nós cariocas temos uma certa malandragem. O indiano tenta passar a perna na gente, mas se você mostra que está ligado, ele desiste."

Quatro meses de viagem, excluindo do orçamento a passagem aérea, não custaram mais que dois mil dólares. "E isso porque eu comprava tudo o que via pela frente." Na mala da volta, muitas roupas, artigos de decoração e livros – estes, devidamente despachados via correio.

Hotéis de cinco dólares a diária, munidos de banheiros com buracos no chão no lugar de vasos sanitários, contribuíram para o magro budget. "Diversidade cultural me atrai bastante. Isso sempre mexeu comigo. Desde que morei no Equador, dos nove aos onze anos." Nesse período, Bia, que fala inglês e espanhol fluentemente, conta que aprendeu quéchua, a antiga língua andina.

A participação no reality não a fez se sentir famosa. Com exceção de um certo bochincho no aeroporto de Fortaleza – quando após ser eliminada do programa esperava voo para o Rio –, não se sente alvo de olhares curiosos nas ruas da zona sul carioca. "Não vejo ninguém me olhando. Ser mega-assediada não deve ser legal. Minha vida continua normal."

Normalidade no caso dela é ir à academia, à praia, dar uma corrida pela orla e estudar para o vestibular. Apesar de formada em turismo, a bela dos olhos negros vai tentar jornalismo no fim do ano. "Tô naquela de me sentir meio burra, sabe? Quero botar a cabeça pra pensar. O programa de tevê serviu como mais uma prova de que eu gosto de trabalhar com câmera. Vou investir nisso."

Solteira há mais de três meses – segundo ela, um recorde –, Bia faz o estilo sossegada. "Prefiro mil vezes ficar em casa vendo um filme do que sair pra dançar." Pretendentes não faltam, mas ela resolveu migrar do "ruim com ele, pior sem ele" para o "antes só do que mal acompanhada". "O telefone sempre toca. Eu é que estou atendendo menos agora." Vendo as fotos, alguém duvida?

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